segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Apometria não é Espiritismo

"Obsessão não se cura com um toque de mágica!"

Apometria não convém às Casas Espíritas

Parte 1

"- Que pensa Emmanuel do espírita diante do sincretismo religioso?

- Nosso amigo espiritual nos aconselha a respeitar crenças, preconceitos, pontos de vista e normas de quaisquer criaturas que não pensem como nós, mas adverte-nos que temos deveres intransferíveis para com a Doutrina Espírita e que precisamos guardar-lhe a limpidez e a simplicidade com dedicação sem intransigência e zelo sem fanatismo (...)
- Cabe-nos, assim, defender a obra de Allan Kardec, em qualquer tempo?

- Sim. Os Espíritos Amigos nos dizem que nos compete a obrigação de defender os ensinamentos de Allan Kardec, sobretudo, na vivência dessas benditas lições, através de nossas próprias vidas. Compreendendo assim, reconheceremos que é necessário sermos fiéis a Kardec em todas as nossas atividades (...)" (1)
Há três anos a Casa de Eurípedes - Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo, Goiânia (GO) - promoveu a realização de Seminário sobre apometria.

E permitiu que um grupo estudasse e aplicasse a técnica, em caráter experimental. Sendo a Casa de Eurípedes instituição técnico-científico, como deve ser qualquer hospital psiquiátrico moderno, com filosofia e práticas espíritas, existe espaço para a discussão e experimentação de novas técnicas, sem preconceito e espírito de segregação, mas sempre com supervisão e acompanhamento técnico.

Como veremos, essa postura não se aplica a experimentações de natureza mediúnica.
Nesse sentido, a técnica apométrica foi aplicada, principalmente em pacientes internos, associando de alguma forma o Departamento Doutrinário e Mediúnico dessa Instituição à apometria. Decorridos três anos e não tendo sido, ainda, realizada qualquer avaliação mais ampla sobre esse trabalho, o assunto foi levantado, buscando respostas para as questões:

a) "A teoria e a prática da técnica conhecida como apometria (e suas leis) estão em pleno acordo com os princípios doutrinários codificados por Allan Kardec, nas obras básicas do Espiritismo, ou seja, a apometria pode ser considerada uma técnica espírita?"

b) "Caso a apometria não seja uma técnica espírita (como várias técnicas terapêuticas anímicas e/ou mediúnicas não o são), é aconselhável incluí-la dentro do corpo do
Departamento Doutrinário e Mediúnico da Casa?"

c) "Sendo ou não uma técnica espírita, a aplicação da técnica tem resultado em benefícios terapêuticos reais para os pacientes em tratamento nesta instituição hospitalar?"
Neste artigo, resumimos parecer da Comissão formada com o objetivo de oferecer respostas às questões acima, levando-se em conta que a Instituição tem se prezado pela fidelidade aos fundamentos da Doutrina Espírita.

Não se trata de julgar a técnica dita apométrica, de saber se ela funciona ou não. Nem de julgar pessoas ou grupos que a praticam.
 
1 - EXAME DO ASSUNTO, À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA:

1.1) Por que Allan Kardec atribuiu a ela o nome de Doutrina Espírita?
A Doutrina é dos Espíritos. E isso porque foi revelada por eles, a muitos médiuns, em inúmeros lugares, simultaneamente:

"(...) a Doutrina dos Espíritos não é de concepção humana. Foi ditada pelas próprias inteligências que se manifestam, quando ninguém disso cogitava, quando até a opinião geral a repelia. (...) Perguntamos ainda mais: por que estranha coincidência milhares de médiuns espalhados por todos os pontos do globo terráqueo, e que jamais se viram, acordaram em dizer a mesma coisa?" (2)

Allan Kardec não aceitava tudo que vinha dos Espíritos - nem recomenda que o façamos -, submetendo seus ensinos ao crivo da razão, aplicando o preceito de Jesus:
"Meus bem-amados, não creiais em qualquer Espírito; experimentai se os Espíritos são de
Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo." (3) (I Jo, 4:1)

Kardec utilizou na Codificação do Espiritismo o "Controle universal do ensino dos Espíritos", conforme se lê em "O Evangelho Segundo o Espiritismo" item "2 - Autoridade da Doutrina Espírita".

Afirmou ser progressiva a Terceira Revelação, mas publicou - "Revista Espírita", agosto/1861, mensagem "Da influência moral dos médiuns nas comunicações", Espírito Erasto:
"Mais vale repelir dez verdades que admitir uma só mentira, uma só teoria falsa." (4)
Máxima repetida em "O Livro dos Médiuns" (Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira), 20º capítulo, item 230, página 292.

Em muitas partes de sua obra, o codificador recomenda-nos submeter a exame severo as comunicações dos Espíritos, como, por exemplo, nos itens 266 e 267, de "O Livro dos Médiuns".

Desaconselhável, pois, a crença cega no que dizem os mentores. O ideal é estudar mais e buscar respostas nas obras confiáveis, já existentes, transmitidas por médiuns de reconhecida idoneidade.

A Doutrina Espírita não está engessada em verdades acabadas, absolutas. Não é nem se diz dona da Verdade, em parte alguma.
1.2) Por que os Espíritos não revelaram aos homens a técnica dita apométrica, quando tiveram à mão excelentes médiuns, ao longo do século vinte? Se é, como afirmam os apômetras, mais eficiente que a reunião de desobsessão, por que o silêncio dos Espíritos Superiores?

Seu divulgador no Brasil, José Lacerda de Azevedo adotou-a, após demonstração, em Porto Alegre (RS), pelo porto-riquenho Luiz Rodrigues, na década de sessenta do século passado.
A essa época ainda se encontrava entre nós, vigoroso, nosso irmão Francisco Cândido Xavier. Seria uma falha dos Espíritos Superiores, embora interessados na regeneração da humanidade? Hipótese esta absolutamente inadmissível!

1.3) Quanto à desobsessão, utilizada na prática Espírita, o Espírito André Luiz transmitiu, ao médium Francisco C. Xavier, instruções de como realizá-la, em 1964 - coincidentemente na mesma década da divulgação da apometria entre nós -, na grande obra intitulada "Desobsessão", editada pela Federação Espírita Brasileira.

1.4) No que se refere à apometria, o silêncio dos Espíritos Superiores é sintomático. Que saibamos, não houve manifestações sobre o tema em várias partes do mundo, através de médiuns conceituados. Devemos considerar, portanto, que não houve o controle universal dos ensinos da técnica, como preconizava Kardec. Também não se confirmou o que preceitua o seguinte pensamento:

"Estai certos, igualmente, de que quando uma verdade tem de ser revelada aos homens, é, por assim dizer, comunicada instantaneamente a todos os grupos sérios, que dispõem de médiuns também sérios, e não a tais ou quais, com exclusão dos outros." "O Evangelho Segundo o Espiritismo", capítulo 21, item 10, 6º §. (5)

Por outro lado, a Ciência ainda não comprovou a eficácia da técnica apométrica. E se é por ela admitida, também desconhecemos. Por estes fatos, não pode ser admitida como vinculada à Doutrina dos Espíritos, pois não atende a nenhum dos dois critérios definidos por Kardec:
"Por sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica." (6)
Assim, não deve ser adotada em Instituições verdadeiramente Espíritas. (Jeziel Silva Ramos)


* Jeziel Silva Ramos - Médico e Presidente do Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Goiânia (GO).
BIBLIOGRAFIA1 - BARBOSA, Elias. No Mundo de Chico Xavier. Edição Calvário, São Paulo, 1968, p. 78;
2 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Ed. FEB, RJ. Introdução, p. 44;
3 - Bíblia Sagrada;
4 - KARDEC, Allan. Revista Espírita. Edicel, SP, Tomo IV, 1863, p. 257;
5 - KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 118ed. FEB, Rio de Janeiro, 2001, C. XXI, item 10, 6º §;
6 - KARDEC, Allan. A Gênese. 34ed. FEB, Rio de Janeiro, 1991, Cap. I, item 13.

 Apometria não convém às Casas Espíritas
Parte 2
Inconsistências e manifestações de respeitável Espírito e de Médiuns

"É necessário preservar o Espiritismo conforme o herdamos do eminente Codificador, mantendo-lhe a claridade dos postulados, a limpidez dos seus conteúdos, não permitindo que se lhe instale adenda perniciosa, que somente irá confundir os incautos e os menos conhecedores das suas diretrizes." Bezerra de Menezes/ Divaldo P. Franco - Reformador/ Dezembro 2003, p. 446.

Os apômetras adotam terminologias diversas daquelas utilizadas pela Doutrina Espírita e conceitos de crenças orientais. Além disso, certas afirmações deles colidem com a razão:

a) - O perdão quase instantâneo, por parte de adversários seculares, após serem submetidos à técnica;

b) - A incorporação de 'vários corpos', de uma só personalidade, encarnada, ou não, em vários médiuns, com doutrinação simultânea, nas 'manifestações desses corpos'!

Para justificar o primeiro item, afirmam que, pela técnica do desdobramento e o uso de pulsos de energia, a entidade espiritual sofredora e vingativa é transportada no tempo, ao passado e ao futuro, perdoando em poucos segundos, esquecendo o ódio de séculos ou milênios, contrariando a própria natureza humana e a necessidade de reforma íntima! E preconiza esse resultado em todos os casos!

Em contraposição a esses conceitos, consultemos algumas obras de fontes seguras.

Ao final dos livros "Instruções Psicofônicas" e "Vozes do Grande Além", de mensagens recebidas por Francisco C. Xavier, em trabalhos de desobsessão, nos anos de 1952 a 1956, em Pedro Leopoldo, há boletins anuais, com estatísticas dos atendimentos, aos quais remetemos o leitor, onde se vê que é muito pequeno o percentual de recuperação plena. E lembrem-se de que estes trabalhos mediúnicos contavam com a presença do maior médium da história da Humanidade - Francisco Cândido Xavier!
Manoel Philomeno de Miranda/ Divaldo Pereira Franco, em "Loucura e Obsessão", afirma à página 14:

"A cura das obsessões, conforme ocorre no caso da loucura, é de difícil curso e nem sempre rápida, estando a depender de múltiplos fatores, especialmente, da renovação, para melhor, do paciente (...).

Allan Kardec, em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", capítulo 28, item 84, diz:
"Observação. - A cura das obsessões graves requer muita paciência, perseverança e devotamento."
Albino Teixeira/Francisco C. Xavier, em "Paz e Renovação", indaga, no capítulo 48 (Obsessão e Cura), à página 135:

"Em qualquer progresso ou desenvolvimento de aquisições do mundo, nada se obtém sem paciência, amor, educação e serviço; como quereis, meus irmãos da Terra, que a obsessão - que é freqüentemente desequilíbrio cronificado da alma, - venha a desaparecer sem paciência, amor, educação e serviço, de um dia para o outro?"
Bastam estas citações, eminentemente doutrinárias, para saber que a cura das obsessões não se faz com um toque de mágica, de uma hora para outra. É também o que nos revela a experiência.

Nossa razão não aceita tanta facilidade - eis que não admite seja possível transformação tão rápida em Espíritos que cultivam o ódio tão intensamente.
Quanto ao segundo item, pelo inusitado da proposta e para não nos alongarmos ainda mais, deixamos que cada um avalie por si mesmo!


2 - MANIFESTAÇÕES DE RESPEITÁVEL ESPÍRITO E DE MÉDIUNS

2.1 - Francisco Cândido Xavier relata orientações recebidas de Emmanuel, seu mentor:
"Lembro-me de que num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e disse mais que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e de Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo." (Chico Xavier: Mediunidade e Coração, de Carlos A. Baccelli, Editora IDEAL, 1985, p. 12/3: Emmanuel e Duas Orientações para o Resto da Vida).

2.2 - Divaldo Pereira Franco, durante uma larga entrevista, no programa Presença Espírita da Rádio Boa Nova, de Guarulhos (SP), em Agosto/2001, a partir de uma pergunta a ele dirigida, afirma:

"Não irei entrar no mérito nem no estudo da apometria porque eu não sou apômetra, eu sou espírita. O que posso dizer é que a apometria, segundo os apômetras, não é Espiritismo, porquanto as suas práticas estão em total desacordo com as recomendações de "O Livro dos Médiuns".

Não examinaremos aqui o mérito ou demérito porque eu não pratico a apometria, mas, segundo os livros que têm sido publicados, a apometria, segundo a presunção de alguns, é um passo avançado do Movimento Espírita no qual Allan Kardec estaria ultrapassado.
Allan Kardec foi a proposta para o século dezenove e para parte do século vinte e a apometria é o degrau mais evoluído, no qual Allan Kardec encontra-se totalmente ultrapassado, tese com a qual, na condição de espírita, eu não concordo em absoluto.


Na prática e nos métodos de libertação dos obsessores, a violência que ditos métodos apresentam, a mim pessoalmente - me parece tão chocante que faz recordar-me da lei de Talião, que Moisés suavizou com o código legal e que Jesus sublimou através do amor. (...)
Tenho certeza de que aqueles que adotam esses métodos novos, primeiro, não conhecem as bases Kardequianas, e, ao conhecerem-nas, nunca as vivenciaram para terem certeza.


Então, se alguém prefere a apometria, divorcie-se do Espiritismo. É um direito! Mas não misture, para não confundir. (...)
Não temos nada contra a apometria, as correntes mento-magnéticas, aquelas outras de nomes muito esdrúxulos e pseudocientíficos. Mas como espíritas, nós deveremos cuidar da proposta espírita.


(...) Não entrarei no mérito dos métodos, que são bastante chocantes para a nossa mentalidade espírita, que não admite ritual, gestual, gritaria, nem determinados comportamentos, porque a única força é aquela que vem de dentro - a moral. "Para esta classe de espíritos são necessários jejum e oração." - disse Jesus. Jornal virtual "A Jornada" (www.ajornada.hpg.ig.com.br/doutrina/mat-0030a.htm)

2.3 - Ricardo Di Bernardi - que é inteiramente favorável à correta utilização do método apométrico e defende o aprofundamento do estudo -, admite falhas nessa prática e fala em umbandização da Doutrina Espírita:

"Com todo respeito aos nossos "primos" umbandistas, que executam trabalho sério e útil, faz-se necessário definir algumas fronteiras que devem ser tão nítidas quanto fraternas. Não há porque criarmos grupos de umbanda técnico-científica nas casas espíritas. Ao invés do clássico e necessário "Diálogo com as sombras" tão preconizado por Hermínio de Miranda, passamos a ouvir o contínuo estalar de dedos, seguido, de verdadeiras expulsões dos espíritos obsessores ou simplesmente sofredores.

O diálogo construtivo e fraterno passou a ser considerado peça de museu. Ao invés de amor e filosofia, muita sonoridade e gesticulação espalhafatosa, sob o argumento de que som serve de veículo para a energia. Então, bater palmas e gritar alto seria tão útil quanto mais ruidosos forem... Naturalmente, o impacto energético seria cada vez mais produtivo quanto mais escandalosa for a sessão... É necessário que acordemos para que logo não estejamos admitindo outras atitudes materiais e periféricas totalmente incompatíveis com nossa filosofia.

O trabalho espiritual é, acima de tudo, mental. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra: equilíbrio... (...)

Obsessores retirados do campo mental do obsediado "a fortiori" e enviados a "outros planetas" ou a estranhos locais ou dimensões extra-físicas, talvez merecessem uma atenção mais adequada.

A ausência de diálogo com espíritos enfermos, em certos casos, apenas determinará a mudança de endereço dos obsessores, bem como a admissão de novos inquilinos na casa mental desocupada do obsediado. (...)
Faz-se necessário recolocarmos a filosofia espírita, o amor e a seriedade nos trabalhos mediúnicos e não umbandizarmos a doutrina espírita, nem brincarmos irresponsavelmente com animadas técnicas."
Artigo "Apometria: Nem problema, nem solução" www.ipepe.com.br/apometria.html(Jeziel Silva Ramos)

* Jeziel Silva Ramos - Médico e Presidente do Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Goiânia (GO). Apometria não convém às Casas Espíritas
Parte 3

Considerações finais e conclusões
 
3 - TÉCNICAS MEDIÚNICAS EXISTEM QUE NÃO SÃO PRÁTICAS ESPÍRITAS
A mediunidade não é patrimônio exclusivo da Doutrina Espírita e muitas práticas alheias ao Espiritismo a utilizam. É dever de todo espírita estudar profundamente as obras básicas, para que possamos preservar a pureza doutrinária. O Codificador, referindo-se ao Espiritismo, indaga-nos: "Como pretender-se em algumas horas adquirir a Ciência do Infinito?", em "O Livro dos Espíritos" (Introdução ao estudo da Doutrina Espírita, item 13, página 39), edição da Federação Espírita Brasileira.

3.1 - Diversos cultos religiosos desenvolvem atividades que favorecem a renovação espiritual de encarnados e desencarnados. Merecem nosso respeito, mas nem por isso vamos adotar seus rituais e práticas exteriores, por considerá-los contrários aos princípios básicos da Doutrina Espírita.

Concluímos que falta o conhecimento da Doutrina Espírita. Não basta a freqüência à Casa Espírita. Indispensável estudá-la, incessante, incansavelmente. Seu aprendizado exige esforços.

Percebe-se, claramente, que a Doutrina Espírita é uma ilustre desconhecida de boa parte dos 'espíritas', especialmente quanto à sua parte teórica.
Reconhecemos haver pessoas sinceras, com elevados sentimentos, que enveredam por esses outros caminhos; mas sabemos que não bastam os bons sentimentos, como bem nos recomenda o Espírito da Verdade, em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", 6º capítulo, item 5:

"Espíritas, amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo."
Portanto, urge estudar a Doutrina Espírita, para melhor aplicá-la. Indispensável estabelecer critérios mais rigorosos quanto à admissão de participantes às reuniões mediúnicas. Allan Kardec era extremamente rigoroso para admitir freqüentadores às reuniões ditas experimentais.

Há dois meios fundamentais ao aprimoramento das reuniões mediúnicas: estudo e reforma íntima.
"Não imaginais o que se pode obter numa reunião séria, de onde se haja banido todo sentimento de orgulho e de personalismo e onde reine perfeito o de mútua cordialidade." "O Livro dos Médiuns", capítulo 25, item 282, 15ª edição da Federação Espírita Brasileira.


4 - CONCLUSÕES

Do exposto, concluíram os integrantes da Comissão de Trabalhos Mediúnicos:

4.1 - Que o Espiritismo constitui-se numa doutrina completa, em seus aspectos moral, religioso, filosófico e científico, com suas raízes no Evangelho de Jesus Cristo, representando o Cristianismo Redivivo;

4.2 - Que não basta afirmar-se espírita e utilizar a mediunidade para que uma prática seja considerada espírita;

4.3 - Que as orientações dos Espíritos Superiores que acompanham o Movimento Espírita no Brasil são muito claras quanto à fidelidade aos princípios codificados por Allan Kardec;

4.4 - Que a orientação, a experiência e a prática dos médiuns mais amadurecidos como Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, entre outros, tem demonstrado sempre a necessidade de vigilância com relação à preservação da pureza dos princípios básicos da Doutrina Espírita;

4.5 - Que esta prática da técnica apométrica realizada dentro da Casa de Eurípedes teve caráter experimental, com o objetivo de avaliar sua aplicabilidade, eficiência e adequação aos princípios espíritas que aquela Instituição tem preservado com rigor e fidelidade;

4.6 - Que ultrapassado esse período de experimentação e avaliação, concluíram pela incompatibilidade da apometria com os princípios que a casa adota;

4.7 - Que o uso de energia para afastar obsessores sem a necessária transformação moral (Reforma Íntima), indispensável à libertação real dos envolvidos nos dramas obsessivos, contradiz os princípios básicos do Espiritismo, pois, o simples afastamento das entidades rancorosas não resolve a questão;

4.8 - Que a apometria, especialmente por suas leis e rituais, não é técnica que se enquadra nos princípios doutrinários espíritas, codificados por Allan Kardec não sendo, portanto, uma prática Espírita;

4.9 - Que a ausência, nas reuniões da apometria, de atitudes de recolhimento íntimo, de concentração superior e da manutenção do ambiente de prece e elevação mental contraria as orientações doutrinárias espíritas, tanto do ponto de vista moral como da técnica mediúnica espírita, propiciando as manifestações anímicas e a mistificação, com grande risco de se perder o controle e evoluir para processos obsessivos graves;

4.10 - Que a utilização pela prática apométrica de contagens de pulsos, gestos especiais, entre outros atos exteriores, abre precedentes graves para implantação de rituais e maneirismos, totalmente inaceitáveis na prática espírita, que é doutrina da fé raciocinada;

4.11 - Que o programa terapêutico do Hospital prevê a abordagem do ser humano nos seus aspectos bio-psico-sócio-espirituais, oferecendo tratamento médico, sócio-familiar, psicoterápico e espiritual de forma integrada e solidária, de acordo com a visão espírita, não existindo dados que possam garantir superioridade da técnica apométrica isoladamente sobre quaisquer outras utilizadas pelo Hospital.

Concluíram, afinal, após longos estudos e, especialmente, ouvir detalhada exposição do assunto, com uso de datashow, pela equipe que a praticava em nossa Instituição, que a apometria não se ajusta à Doutrina Espírita e, por isso, sua prática não é adequada à Casa de Eurípides. Nestes três artigos expomos aos interessados o resultado desses estudos, que justificam nossa posição contrária à utilização desse método.

Assim, o parecer daquela Comissão sugeriu que o Conselho Doutrinário e Mediúnico recomendasse, ao grupo que aplica a técnica apométrica naquele Hospital Espírita, que a suspendesse, retornando à prática das reuniões mediúnicas de desobsessão, de acordo com os princípios doutrinários espíritas.

Aventou, ainda, a possibilidade de o Conselho Doutrinário e Mediúnico adotar alternativas, para o encaminhamento da relevante questão. Mas que considerasse sobretudo a responsabilidade que lhe pesa nos ombros, conforme assinala o digno Bezerra de Menezes:
"Cumpre-vos transferir às gerações porvindouras, com a pulcritude que o recebestes, o patrimônio espírita legado pelos Benfeitores da Humanidade e codificado pelo ínclito Allan Kardec, preparando as gerações novas, que vos sucederão na jornada de construção do mundo novo." (Bezerra de Menezes/ Divaldo P. Franco: Bezerra de Menezes ontem e hoje, edição da Federação Espírita Brasileira, página 155).

A recomendação para que se preserve, naquele Hospital Espírita, a fidelidade ao Espiritismo, que é doutrina completa, cristalina, dispensando enxertias de quaisquer natureza, foi aprovada.

Lamentavelmente, não obstante reiterados apelos de vários integrantes do Conselho, o grupo não acatou a sugestão de voltar à lídima prática mediúnica espírita, preferindo afastar-se da Casa de Eurípedes. Mas lhes foi dito que as portas da Casa permanecem-lhes abertas, bem assim os nossos corações, se se dispuserem à fidelidade a Jesus e a Allan Kardec! (Jeziel Silva Ramos)

* Jeziel Silva Ramos - Médico e Presidente do Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Goiânia (GO).

Cromoterapia, Florais de Bach... Nos Centros Espíritas?

Alkíndar de Oliveira

Nós espíritas sabemos que existem Centros Espíritas ( que assim auto denominam-se ) que trabalham com cromoterapia, florais de Bach, etc. e que conseguem bons resultados de curas. Fazem os doentes saírem física e mentalmente recuperados. Cabe a nós, espíritas, respeitar as mais diversas modalidades e formas de cura. São meios úteis de minimizar o sofrimento alheio.

Se temos por obrigação respeitar a forma dos outros agirem ( não devemos respeitar o livre arbítrio? ) e, até elogiar por estarem aplicando mais uma maneira de ajudar a quem precisa, temos, por outro o lado, o direito de pedir ao líderes dessas instituições para não denominá-las de Centros Espíritas.

Releia Kardec.

Você, caro irmão, assim agindo, com o nobre propósito de ajudar o próximo, prejudica o foco do Espiritismo.

O bom líder sabe que determinar o foco é o passo fundamental para conseguir sucesso em sua empreitada.

Agindo assim, meu irmão, vão confundir Espiritismo com Casa de Recuperação, onde o doente vai com um mal do corpo ou do espírito, cura-se, e depois volta para sua residência esquecendo-se completamente da importância do Centro Espírita em sua vida, ou mesmo não tendo – esse doente recém curado - acesso à profundidade da Doutrina Espírita, que é o que ocorre na maioria das vezes.

Não pense que o Espiritismo não deixa de ser uma Casa de Recuperação. Ele o é, sim. Mas como um meio, não como um fim. A pessoa que enxergar o Centro Espírita principalmente como uma Casa de Recuperação, está tendo uma visão desfocada do Espiritismo.

Uma Casa de Recuperação atende um doente por um tempo determinado, até que ele se cure.

O Espiritismo não é uma Casa de Recuperação, apesar de poder e dever agir como tal ( mas repito, como um meio, não como um fim ). O Espiritismo é sim, uma Escola, que tem o objetivo de educar – para sempre, e não por um tempo determinado – o espírito imortal.

Por que hoje muitos indivíduos procuram o Centro Espírita para se curarem de um mal qualquer, curam-se e depois não voltam mais?
Porque o Espiritismo está, de forma errônea, vendendo essa imagem de Casa de Recuperação.

Insisto: adotar cromoterapia, florais de Bach, etc. é desfocar o Espiritismo. É não abrir os olhos do indivíduo ao profundo conhecimento e entendimento que a Doutrina Espírita pode a ele proporcionar por toda sua imortal vida, e não apenas por um momento em que precisou ser curado de determinado mal.

Se quiser, caro irmão, continue a adotar a cromoterapia, divulgue e aplique os florais de Bach, sabemos que existem muitas formas de sermos úteis à humanidade, mas, por favor, mude o nome de sua instituição. Para o bem da exata compreensão do que é o Espiritismo, não a chame de Centro Espírita.

Não prejudique o foco.

Terapia de Vidas Passadas e Espiritismo

Milton Menezes

O tema Terapia de Vida Passada - TVP - ganhou, ultimamente, grande espaço nos meios de comunicação em geral. Como todo tema polêmico, tem gerado muitos debates e opiniões. Mas por que uma proposta terapêutica como essa pode gerar tanta polêmica? Pelo lado da ciência, o centro da questão está na utilização de uma hipótese de trabalho reencarnacionista, que a ciência ocidental continua julgando um tema religioso ou místico, que não pode ser considerado como objeto de estudo.

Para a Doutrina Espírita, apesar defender a reencarnação como processo natural na vida do ser humano, a questão está na utilização da Regressão de Memória à nossas vidas passadas. O objetivo deste artigo será o de discutir alguns dos principais pontos desta relação entre a Terapia de Vida Passada e o Espiritismo.

Para evitar os “achismos”, resolvemos fazer uma pesquisa a nível nacional, no final de 1998, em que apresentávamos para a população espírita um questionário sobre a Terapia de Vida Passada. Dos 500 que foram respondidos, identificamos algumas das principais preocupações do espírita em relação à Terapia de Vida Passada - TVP - e a Regressão de Memória:
  • Necessidade do esquecimento do passado;
  • Não poder interferir no processo de sofrimento causado por problemas no passado;
  • Fazer Regressão por curiosidade;
Na verdade, o que se pode observar é que a maioria das pessoas tem dúvidas se deveriam ou não utilizar a TVP como recurso, não tem uma informação correta sobre o que é a TVP, hoje.

A TVP se insere na abordagem da Psicologia Transpessoal, um ramo mais recente da Psicologia que considera o componente espiritual como uma das dimensões do ser humano, que interfere no entendimento do homem e de seus sofrimentos. Porém, na TVP consideramos a hipótese de trabalho da reencarnação como base de explicação do conteúdo obtido no processo de Regressão de Memória, isto é, julgamos que os relatos obtidos com os indivíduos em Estado Alterado de Consciência se referem às suas experiências vividas em outras encarnações.

Para a TVP, a maioria dos problemas que temos na vida atual decorrem de situações traumáticas ou bastante desequilibradas que foram vividas pelo indivíduo no passado e que deixaram marcas profundas no seu psiquismo profundo. Todas essas experiências estão registradas nesta instância Inconsciente que o Dr. Jorge Andréa (1) chama de Inconsciente do Pretérito. Algumas situações na vida atual, parecem desencadear o surgimento, na zona mais consciente do psiquismo, desses desequilíbrios, transformando-se em verdadeiras patologias. Podemos citar as fobias, a Síndrome do Pânico, distúrbios de comportamento como os sexuais ou os compulsivos, a depressão, a ansiedade, etc. como algumas que podem se beneficiar com o tratamento pela TVP.

O primeiro passo do processo está em tornar consciente esse conteúdo do passado. É nesse momento que podemos utilizar a Regressão de Memória na identificação da situação do passado geradora do sofrimento atual. Posterior e concomitantemente a essa identificação, teremos que utilizar diversas intervenções específicas para cada caso, visando dissociar a personalidade atual daqueles traumas vividos no passado. Como vimos não basta apenas lembrar o passado. Há uma necessidade de um acompanhamento terapêutico criterioso do delicado conteúdo emocional e psíquico que surge do processo de Regressão. A nossa experiência tem indicado a necessidade da TVP só ser feita por profissional da área de saúde mental que estaria habilitado ao processo de forma integral.

Como podemos ver a finalidade da TVP é terapêutica. Com isso desfaz-se uma das grandes preocupações do público espírita, em particular: a curiosidade. Na verdade o terapeuta, quando executa um trabalho sério, não considera os casos em que as pessoas procuram para saber o que foram ou fizeram de extraordinário em suas vidas passadas. Julgamos que o material que lidamos seja muito delicado para uma finalidade fútil !

Mas, a questão mais delicada do espírita parece ser a de se “levantar o véu que encobre o passado” já que seria uma “dádiva divina”. Se observarmos no contexto da Doutrina, as principais referências sobre o assunto estão em O Livro dos Espíritos na parte 2a., cap. VII, em um item que engloba as perguntas 392 à 399, com o título: O esquecimento do passado.

Nesse ponto os Espíritos alertam para os inconvenientes que a lembrança do passado teria para os indivíduos. E nós concordamos inteiramente com isso !!! Vamos observar que este capítulo trata “Da Volta do Espírito à Vida Corporal”. É claro que quando voltamos ao corpo físico necessitamos do esquecimento de nossas vidas pregressas. Como, uma criança conseguiria estruturar uma nova personalidade lembrando simultaneamente de todas as suas vidas passadas? Seria impossível.

Diversas obras na literatura espírita defendem a utilização terapêutica da Terapia de Vida Passada. Dos autores encarnados, citamos o Dr. Jorge Andréa, psiquiatra e pesquisador do psiquismo profundo e da reencarnação com vasta contribuição nessa área. Mesmo entre os desencarnados, através das obras psicografadas, não há uma contra-indicação à utilização da TVP nos casos em que verificamos graves problemas psíquicos, emocionais, físicos ou de comportamento. Pelo contrário. Espíritos como Joanna de Ângelis (2) e Bezerra de Menezes (3) tem ressaltado, através de algumas de suas obras, a importância deste tipo de abordagem científica na minimização do sofrimento humano. Mas é claro que a TVP não é uma panacéia capaz de resolver todos os problemas. Como toda abordagem terapêutica tem suas limitações e dificuldades que somente uma atuação séria e criteriosa poderá superar, ampliando o potencial de cura de sua aplicação.

É o sofrimento o nosso grande objetivo! Para nossa surpresa, muitos espíritas responderam afirmativamente à questão: “o sofrimento é a melhor forma de pagarmos os erros do passado”. Isso pode levar a um entendimento distorcido da finalidade da vida e do sofrimento.

A Doutrina Espírita (4) deixa bem claro qual é o objetivo das encarnações sucessivas: o desenvolvimento moral e intelectual do ser. O sofrimento representa um desequilíbrio resultante de um comportamento inadequado do passado que ainda mantém características na personalidade atual. Na medida em que se resolvam as causas cessam-se os efeitos. Em O Livro dos Espíritos, questão 1004, Kardec pergunta sobre o critério de duração dos sofrimentos a que os espíritos respondem ser função da melhora do indivíduo. Na resposta fica clara a finalidade pedagógica do sofrimento, pois quando a pessoa melhora o aspecto desequilibrado o sofrimento perde o sentido, modificando-se ou extinguindo-se.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo 5, temos a orientação dos espíritos de que devemos empreender todos os nossos esforços no sentido de minimizar o sofrimento dos homens. Ora se a TVP desponta como um instrumento da ciência que pode ajudar nesse processo de aprimoramento do ser humano pela dura de alguns de seus sofrimentos, por que não utilizá-la? Será que não poderíamos utilizar a TVP para ajudar uma pessoa a superar sua Síndrome do Pânico ou de uma depressão profunda por exemplo, simplesmente porque utilizaremos de suas lembranças pretéritas? Nos parece que se a TVP é uma conquista da Ciência ela está consoante aos desígnios de Deus para o progresso da Humanidade.

A ciência avança no sentido da confirmação do espírito, como origem e princípio básico da vida, e da reencarnação como mecanismo natural fundamental para o entendimento do homem e de seus sofrimentos. A TVP, aplicada de forma séria e criteriosa, demonstra ser um instrumento legítimo deste movimento. Como resultado desta aplicação o indivíduo se reconhece como ser espiritual eterno em passagem temporária de aprendizado pelo corpo.

Ao verificar as conseqüências de seus atos passados nos seus problemas atuais pode refletir e decidir sobre quais são os valores existenciais essenciais para o seu espírito hoje e descobre a necessidade de desenvolver o Abrandamento de suas tendências negativas e a Aceitação dos problemas que enfrentamos. Ao final, perceberá a necessidade de reclamar menos e Amar mais, a si mesmo e aos outros.

Referências Bibliográficas:

(1) Palingênese, a Grande Lei - Jorge Andréa
(2) O Homem Integral - Joanna de Angelis/Divaldo Franco;
(3) Loucura e Obsessão - Manoel P. de Miranda/Divaldo Franco;
(4) O Céu e o Inferno - Kardec - 1a. parte, cap. III, item 8.
(5) O Livro dos Espíritos - Kardec - Questões 392 à 399;
(6) O Evangelho Segundo o Espiritismo - Kardc - Cap. 5;
(7) Terapia de Vida Passada e Espiritismo - Distâncias e Aproximações - Milton Menezes
MILTON MENEZES
Milton Menezes nasceu em Petrópolis - RJ, em 23 de outubro de 1960.
Formado em Ciências Econômicas pela UERJ.
Formado em Psicologia pela Universidade Estácio de Sá.
Especialização em Terapeuta de Vida Passada pela Sociedade Brasileira de Terapia de Vida Passada - SBTVP em Campinas - SP.
Mestrando em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ.
Membro fundador do IBRAPE-TVP - Instituto Brasileiro de Pesquisa em TVP do Rio de Janeiro.
Pesquisa atualmente a aplicação da TVP na Síndrome do Pânico.
RESUMO:
O grande desafio da TVP é consolidar a reencarnação como hipótese científica de trabalho, introduzindo o conceito de Espírito como capaz de explicar vários aspectos na Psicologia e Medicina.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

TRABALHADOR ESPÍRITA E TATUAGENS


Tatuagens são permitidas ao trabalhador espírita?

Em princípio, cabe lembrar que a Doutrina Espírita nada proíbe. No entanto, dota os indivíduos de elementos para reflexão para que decidam conscientemente. Não é a utilização de tatuagens que desmerecerá o caráter de uma pessoa. No entanto, alguns tipos de tatuagens, com motivos funestos, classificam-se como inconvenientes e impróprias para um trabalhador espírita.


Segundo Divaldo Pereira Franco, respeitado médium e orador espírita, pessoas que tatuam o corpo inteiro ou o enchem de piercings, são almas que ainda trazem reminiscências vivas de encarnações em épocas bárbaras, quando guerreiros sanguinários se utilizavam desses meios para se impor frente aos adversários.


Necessário sairmos da superficialidade. A questão cultural é muito importante para entendermos porque alguns povos adotam certos costumes estranhos a outras culturas. Na Tailândia, fronteira com Myanmar, antiga Birmânia, existe uma tribo isolada onde as mulheres cultuam pescoços longos. Para tal, utilizam argolas no pescoço, desde a infância, para provocar o aumento do pescoço.


Para os integrantes da tribo, todo este procedimento é muito natural, pois faz parte de suas crenças e seus costumes. Trata-se de culto ao corpo e a beleza, sem conotação de auto-agressão.


Nota-se que a compreensão espiritual dos nativos dessa tribo é bastante diferenciada do restante do mundo. Essas particularidades de entendimento implicam em conseqüências diferentes no mundo espiritual, pois cada qual está na situação de elevação espiritual que já tenha conquistado.


É necessário compreender o indivíduo de forma integral. As reações expressas no corpo são conseqüências de seus pensamentos e estes resultados das crenças, experiências e visão de mundo. Tudo é muito relativo até que se descubra como funcionam determinadas Leis Divinas. A Doutrina dos Espíritos não proíbe - esclarece. Não condena - conscientiza. Não se coloca ‘em cima do muro’, mas mostra como construir e trilhar o melhor caminho.


Uma tatuagem por si só não faz ninguém melhor ou pior. No entanto, perguntemos o que está por trás dessa tatuagem? Quais sãos os sentimentos, os anseios, as crenças daqueles que cobrem seus corpos com tais símbolos?


É preciso compreender as razões de alguém tatuar todo o corpo, camuflando-se de si mesmo. Grande parte o faz conduzido pelo modismo. Outros tantos ainda se encontram presos a hábitos de outras encarnações, que transitam do inconsciente para o consciente do indivíduo, resultando na transfiguração do indivíduo.


O Espiritismo não julga, porém compreende que, com o amadurecimento, o Espírito cultivará apenas os valores que nortearão sua verdadeira vida. Tatuagens, piercings, são todas práticas transitórias. Convém perceber, contudo, se tais pessoas estão abaladas, desequilibradas emocional e espiritualmente. O que as faz quebrar a barreira do bom senso e do discernimento? Por que provocam para si as dores e sofrimentos?


Frente a tais perguntas, a Doutrina Consoladora busca no íntimo do ser o seu real problema. Convida-o ao auto-conhecimento e ao exercício do auto-aprimoramento. Recomenda bom senso, amor a si mesmo, equilíbrio e a busca incessante ao Pai Criador, o único que poderá nos preencher de alegria e felicidade.


Hoje a moda cobre o corpo de desenhos e objetos. Amanhã o mundo será coberto de almas verdadeiramente engajadas no trabalho de servir, deixando de lado o culto exterior – superficial – para as conquistas de valores espirituais duradouros.


Analisemos a alma para descobrir o porquê do estado do corpo. Compreendamos o profundo para entender claramente o superficial. O certo e o errado, o bem e o mal nada mais são que experiências condizentes ou não com as Leis Naturais. Valorizar o corpo e a alma é ensinamento que todos os homens compreenderão e, então, já não discutiremos assuntos superficiais, mas assuntos da alma. Deixando do lado o embrulho para valorizar o conteúdo.



(Retirado do site OSGEFIC)


A imagem que ilustra este post foi retirada do blog ‘Glaucia de Barros

INUMAR OU CREMAR, EIS A QUESTÃO

Jorge Hessen

A despeito de ser praticada desde a mais remota antigüidade, a cremação (incineração de um cadáver até reduzi-lo a cinzas) é assunto controverso na opinião da sociedade contemporânea ocidental. Em eras recuadas, a prática da cremação provinha de duas razões diferentes: a necessidade de trazer de volta os guerreiros mortos, para receberem sepultura em sua pátria, como sói ocorrer entre os gregos; ou de fundamentos religiosos, como entre os nórdicos, que criam assim libertar o Espírito de seu arcabouço físico e evitar que o desencarnado pudesse causar danos aos encarnados.
Em Roma, quiçá, devido ao ritual adotado para queimar os corpos dos soldados mortos, a cremação se transformou em símbolo de prestígio social, de tal forma que a construção de columbários([1]) tornou-se negócio rentável. De longa data, os indianos e outros povos reencarnacionistas sabem que o corpo físico, uma vez extinto, não mais pode ser habitado por um Espírito, pois isso contraria a Lei Natural; portanto, o cadáver poderá ser cremado, transformado em cinzas, sem qualquer processo traumático.
As obras da codificação espírita nada dizem a respeito da cremação. Por isso, cremos que o problema da incineração do corpo merece mais demorado estudo entre nós. Até porque, se para uns o processo crematório não repercute no Espírito, para muitos outros, por trás de um defunto, muitas vezes, esconde-se a alma inquieta e sofrida, sob estranhas indagações, na vigília torturada ou no sono repleto de angústia. Para semelhantes viajores da grande jornada, a cremação imediata dos restos mortais será pesadelo terrível e doloroso. 
Existem correntes ideológicas avessas à cremação, quase sempre embaladas por motivo de ordem médico-legal (nos casos estabelecidos em lei, quando envolva morte violenta, por interesse público); ou movida por razão de ordem afetiva (porque os familiares acham uma violência a incineração do corpo e querem preservar os restos mortais para culto ao morto); ou, ainda impulsionada pela lógica de ordem religiosa (porque muitas pessoas ainda acreditam na ressurreição do corpo etc) principalmente, porque a Igreja de Roma era contra o ato e até negava o sacramento às pessoas cremadas. Poderíamos, ainda, acrescentar mais uma objeção – talvez a mais séria: o desconhecimento das coisas do Espírito, que persiste, em grande parte, por medo infundido, preconceito arraigado e falta de informação.([2])
Além disso, a questão que envolve a cremação tem implicações sociológicas, jurídicas, psicológicas, éticas e religiosas. Até porque, o tema diz respeito a todas as pessoas (lembremos que todos nós, ante a fatalidade biológica, iremos desencarnar).  De acordo com tese de pesquisa sobre o tema, a cada 70 anos o planeta terá o número de enterrados na mesma quantidade de encarnados atuais, ou seja: daqui a sete décadas terá 6 bilhões de cadáveres sepultados.
Enquanto os profitentes do enterro tradicional (inumação) o defendem por aguardarem, o juízo final e a ressurreição do corpo físico, os que defendem a cremação, afirmam que o enterramento tem conseqüências sanitárias e econômicas, e nesse raciocínio explicam que os cemitérios estariam causando sérios danos ao meio ambiente e à qualidade de vida da população em geral. Laudos técnicos atestam que cemitérios contaminam a água potável que passa por eles e conduz sério risco de saúde humana às residências das proximidades, além das águas de nascentes podem também contaminar quem reside longe dos cemitérios.
O planeta tem seus limites espaciais o que equivale dizer que bilhões e bilhões de corpos enterrados vão encharcar o solo, invadir as águas com o necrochorume (líquido formado a partir da decomposição dos corpos que atacam a natureza, as quais provocariam doenças), disseminando doenças e outros riscos sobre os quais sanitaristas e pesquisadores têm se preocupado. Por outro lado, o uso da cremação diminuiria os encargos básicos econômicos, como por exemplo: adquirir terreno para construir jazigo; a manutenção das tumbas; nas grandes capitais falta de espaço para construir cemitérios etc. Pelo menos em ralação ao nosso País fiquemos, por enquanto, sossegados, pois, como lembra Chico Xavier“ainda existe bastante solo no Brasil e admitimos, por isso, que não necessitamos copiar apressadamente costumes em pleno desacordo com a nossa feição espiritual.([3])
Sob o enfoque espiritual o assunto é mais complexo quando consideramos que muitas vezes “o Espírito não compreende a sua situação; não acredita estar morto, sente-se vivo. Esse estado perdura por todo o tempo enquanto existir um liame entre o corpo e o perispírito. ([4]) O perispírito, desligado do corpo, prova a sensação; mas como esta não lhe chega através de um canal limitado, torna-se generalizado. Poderíamos dizer que as vibrações moleculares se fazem sentir em todo o seu ser, chegando assim ao seu sensorium commune ([5]), que é o próprio Espírito, mas de uma forma diversa.
Ressalta Kardec, “Nos primeiros momentos após a morte, a visão do Espírito é sempre turva e obscura, esclarecendo-se à medida que ele se liberta e podendo adquirir a mesma clareza que teve quando em vida, além da possibilidade de penetrar nos corpos opacos”.[6] Dessa forma, o homem que tivesse vivido sempre sobriamente se pouparia de muitas tribulações e menos sentirá as sensações penosas. Portanto, para ele, que vive na Terra tão somente para o cultivo da prática do bem, nas suas variadas formas e dentro das mais diversas crenças, a desencarnação não significa perturbações em face de sua consciência elevada e do coração amante da verdade e do amor.
Ao ser indagado se o recém-desencarnado pode sofrer com a incineração dos despojos cadavéricos, Emmanuel respondeu: “Na cremação, faz-se mister exercer a caridade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o ato de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o ‘tônus vital’, nas primeiras horas seqüentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material”.([7])
Chico Xavier, ao ser questionado no programa “Pinga Fogo”, da extinta TV Tupi, de São Paulo, pelo jornalista Almir Guimarães, quanto à cremação de corpos que seria implantada no Brasil, à época, explicou: Já ouvimos Emmanuel a esse respeito, e ele diz que a cremação é legítima para todos aqueles que a desejem, desde que haja um período de, pelo menos, 72 horas de expectação para a ocorrência em qualquer forno crematório, o que poderá se verificar com o depósito de despojos humanos em ambiente frio” (.[8]) (grifamos) porém, Richard Simonetti, em seu livro “Quem tem Medo da Morte” lamenta que nos fornos crematórios de São Paulo, espera-se o prazo legal de 24 horas, inobstante o regulamento permitir que o cadáver permaneça na câmara frigorífica pelo tempo que a família desejar”.([9]) Nesse caso o prazo poderia ser maior.
O Espiritismo não recomenda nem condena a cremação. Mas, faz-se necessário exercer a piedade com os cadáveres, protelando por mais tempo a incineração das vísceras materiais([10]) pois, existem sempre muitas repercussões de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se esvaiu o "fluido vital", nas primeiras horas seqüentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material. A impressão da desencarnação é percebida, havendo possibilidades de surgir traumas psíquicos. Destarte, recomenda-se aos adeptos da Doutrina Espírita que desejam optar pelo processo crematório prolongar a operação por um prazo mínimo de 72 horas após o desenlace.


FONTES DE REFERÊNCIAS:


([1]) edifício com nichos para as urnas funerárias
([2]) A Igreja romana, por ato do Santo Ofício, desde 1964, resolveu aceitar a cremação, passando a realizar os sacramentos aos cremados, permitindo as exéquias eclesiásticas. Aliás, em nota de rodapé de seu “Tratado” (vol. II. P. 534), o professor Justino Adriano registra o seguinte: “Jésus Hortal, comentando o novo Código de Direito Canônico diz que a disciplina da Igreja ‘sobre a cremação de cadáveres, a que, por razões históricas, era totalmente contrária, foi modificada pela Instrução da Sagrada Congregação do Santo Ofício, de 5 de julho de 1963 (AAS 56, 1964, p. 882-3). Com as modificações introduzidas pelo novo Ritual de Exéquias, é possível realizar os ritos exequiais inclusive no próprio crematório, evitando, porém, o escândalo ou o perigo de indiferentismo religioso.
([3]) Xavier, Francisco Cândido. Escultores de Almas, SP: edição CEU, 1987.
([4]) Ensaio teórico sobre a sensação nos espíritos (cap. VI item IV, questão 257 Livro dos Espíritos).
([5]) Sensorium commune: expressão latina, significando a sede das sensações, da sensibilidade. (N. do E.).
([6]) Ensaio teórico sobre a sensação nos espíritos (cap. VI, item IV, questão 257 Livro dos Espíritos)
([7]) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB 11 ª edição, 1985, pg 95.
([8]) As duas entrevistas históricas realizadas ao saudoso Francisco Cândido Xavier na extinta TV Tupi/SP canal 4, em 1971 e 1972, respectivamente, enfaixadas nos livros Pinga Fogo com Chico Xavier (Editora Edicel) e Plantão de Respostas - Pinga Fogo II (Ed. CEU),
([9]) Simonetti, Richard.Quem tem Medo da Morte, SP: editora CEAC, 1987.
([10]) Depoimento de Chico Xavier in Revista de Espiritismo nº. 33 (FEP) Out/dez 1996.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

NÃO PERDOAR

 Bezerra de Menezes, já devotado à Doutrina Espírita, almoçava, certa feita, em casa de Quintino Bocaiúva, o grande republicano, e o assunto era o Espiritismo, pelo qual o distinto jornalista passara a interessar-se.
Em meio da conversa, aproxima-se um serviçal e comunica ao dono da casa:
- Doutor, o rapaz do acidente está aí com um policial.
Quintino, que fora surpreendido no gabinete de trabalho com um tiro de raspão, que, por pouco, não lhe atingiu a cabeça, estava indignado com o servidor que inadvertidamente fizera o disparo.
- Manda-o entrar – ordenou o político.
- Doutor – roga o moço preso, em lágrimas -, perdoe o meu erro! Sou pai de dois filhos…
Compadeça-se! Não tinha qualquer má intenção…
Se o senhor me processar, que será de mim? Sua desculpa me livrará! Prometo não mais brincar com armas de fogo! Mudarei de bairro, não incomodarei o senhor…
O notável político, cioso da própria tranqüilidade, respondeu:
- De modo algum. Mesmo que o seu ato tenha sido de mera imprudência, não ficará sem punição.
Percebendo que Bezerra se sentia mal, vendo-o assim encolerizado, considerou, à guisa de resposta indireta:
- Bezerra, eu não perdôo, definitivamente não perdôo…
Chamado nominalmente à questão, o amigo exclamou desapontado:
- Ah! você não perdoa!
Sentindo-se intimamente desaprovado, Quintino falou, irritado:
- Não perdôo erro. E você acha que estou fora do meu direito?
O Dr. Bezerra cruzou os braços com humildade e respondeu:
- Meu amigo, você tem plenamente o direito de não perdoar, contanto que você não erre…
A observação penetrou Quintino como um raio.
O grande político tomou um lenço, enxugou o suor que lhe caía em bagas, tornou à cor natural, e, após refletir alguns momentos, disse ao policial:
- Solte o homem. O caso está liquidado.
E para o moço que mostrava profundo agradecimento:
- Volte ao serviço hoje mesmo, e ajude na copa.
Em seguida, lançou inteligente olhar para Bezerra, e continuou a conversação no ponto em que haviam ficado.

Pelo Espírito Hilário Silva – Do livro: Almas em Desfile, Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

RAUL TEIXEIRA SOFRE AVC NOS ESTADOS UNIDOS

Na última terça-feira, dia 15 de novembro, o médium e orador Raul Teixeira sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) durante viagem para os Estados Unidos, onde faria uma série de conferências.
O incidente aconteceu enquanto Raul ainda estava no voo, quando foi socorrido e levado diretamente para o Jamaica Hospital Medical Center, em Nova Iorque (USA), onde permanece internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) realizando uma série de exames.
Segundo a equipe médica, por enquanto, Raul Teixeira apresenta limitações de alguns movimentos e da fala, com dificuldades em reconhecer números ou letras.
Os médicos presumem ainda que o momento em que Raul Teixeira sofreu o AVC e foi atendido, passaram-se entre 5 e 6 horas, o que pode ter agravado seu estado, pois somente após o pouso da aeronave os comissários perceberam que Raul necessitava de atendimento médico, uma vez que o médium permanecia imóvel durante o voo, dando a impressão de estar dormindo, como outros passageiros.
Raul Teixeira é um dos conferencistas mais requisitados no Brasil e no Exterior, por sua colaboração à Doutrina Espírita em mais de 45 países e 35 obras publicadas,  dentre elas as mais recentes "Não tenha Medo dos Espíritos", "Minha Família, o Mundo e Eu" e "Quando A Vida Responde".

Natural da cidade de Niterói (RJ), Raul Teixeira é licenciado em Física, Mestre e Doutor em Educação. Professor aposentado da Universidade Federal Fluminense. É um dos fundadores da Sociedade Espírita Fraternidade, localizada em Niterói (RJ), instituição que mantém uma obra de Assistência Social Espírita denominada "Remanso Fraterno", onde atende crianças e família socialmente carentes, apoiando-as no seu soerguimento material e espiritual.
Neste momento em que sua saúde está fragilizada, encontra-se uma grande oportunidade de retribuir a grandeza de seu trabalho  no auxílio à comprensão e vivência dos ensinamentos doutrinários, através das preces e vibrações positivas em prol de seu restabelecimento.

 Fonte: United States Spiritist Council, FEB e Rede Amigo Espírita