segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Frases infelizes

Você seria capaz de recordar as frases que lhe foram ditas na infância e o influenciaram negativamente? Isto é, aquelas frases que fizeram com que você se sentisse mal, quase um zero à esquerda?
É possível que alguns de nós recordemos de uma ou outra que fizeram a nossa infelicidade infantil. E se as recordamos, ainda hoje, passada a infância e adolescência, é porque verdadeiramente nos marcaram.
Pois bem. Quantas vezes, como pais, dizemos aos filhos aquelas coisas mesmas que tanto mal nos fizeram.
A frase: Como é que você pode ser tão burro!  é uma delas.
De consequências desastrosas para o autoconceito da criança, põe em dúvida, de forma muito clara, a sua capacidade.
Afinal burro está associado ao incapaz, ao que não consegue fazer as coisas direito.
Ao duvidar da habilidade do filho, os pais lhe passam a sensação de incompetência, que pode acompanhá-lo para a vida toda.
Além do que, se abraçar o conceito, a criança poderá passar a se comportar como tal. Tornar-se, de forma proposital, ainda que inconsciente, o incapaz que sugerem que ela seja.
A frase é pronunciada nos momentos mais nevrálgicos do relacionamento entre pais e filhos.
A mãe entra na sala e descobre o pequeno pendurado na janela. Ela já lhe falou, pela suas contas, mais de mil vezes, para não subir. Assustada, com medo, ela corre, puxa o pequeno para dentro e larga a frase, acrescentando:
Já não lhe falei? Você não consegue aprender?
Melhor do que tal explosão, seria tornar a explicar à criança o perigo que ela corre repetindo aquele gesto.
Se contarmos até dez, dominarmos o nosso medo, com habilidade poderemos tirar a criança do perigo e lhe dizer:
Janela não foi feita para subir.
Colocamos os limites, sem agredir. Falamos da realidade da janela e dos perigos que ela representa, sem descer à questão da capacidade do pequeno em julgar se pode ou não subir ali sem problema.
É interessante considerar que todos almejamos que nossos filhos progridam e somos nós mesmos os que lhes colocamos obstáculos, criando-lhes situações plenamente dispensáveis.
*   *  *
Educar é tarefa que requer esforço desde que nós mesmos ainda estamos um pouco longe de sermos educados.
Comecemos por nos educar a fim de que a educação dos nossos filhos se dê em clima de segurança, amor e respeito.
Lembremos que a missão de pais é um dever muito grande, que implica, mais do que pensamos, nossa responsabilidade para o futuro.
E verifiquemos que Deus deu à criança uma organização débil e delicada, para facilitar a tarefa dos pais, tornando-a mais acessível a todas as impressões.
Redação do Momento Espírita.
Em 04.06.2010.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Filhos pródigos

Quando ouvimos falar de filho pródigo, logo nos vem à mente um homem rico dissipando a sua fortuna material, nas festas e gozos do mundo.
No entanto, se ampliarmos nossa visão, perceberemos outros aspectos que merecem atenção.
Os filhos pródigos não estão somente onde há dinheiro em abundância. Podemos encontrá-los em todos os campos da atividade humana, ocupando diversas posições.
Grandes cientistas da Terra são perdulários da inteligência, destilando venenos intelectuais, indignos das concessões com que foram distinguidos.
Artistas preciosos gastam, por vezes, inutilmente, a imaginação e a sensibilidade, através de aventuras mesquinhas, caindo no relaxamento e nos resvaladouros do crime.
Filhos pródigos que estão, neste momento, desperdiçando a fortuna do tempo acomodados na ociosidade irresponsável. Ou então, usando seus conhecimentos para criar coisas ou situações infelizes.
Há os que dissipam a saúde através dos vícios de toda ordem.
Os que são pródigos em desculpas para seus próprios erros, mas econômicos quando se trata de desculpar os erros alheios.
Muitos esbanjam, deliberadamente, as oportunidades de crescimento que a vida lhes oferece a cada instante.
Vários governantes dissipam a confiança que lhes foi depositada, jogando fora a chance de testemunhar dignidade e honradez.
Pais que se demitem da missão que lhes foi conferida e deixam escoar a bendita oportunidade de elevar moralmente a prole que Deus lhes confiou.
Filhos pródigos somos quase todos nós. Deixando passar as oportunidades de calar uma ofensa, evitar um ataque de ira, conter um comentário maldoso.
Temos sido avaros ou comedidos quando se trata de doar-nos, de oferecer algo de nós mesmos.
Somos econômicos quando alguém nos pede uns minutos de atenção, um favor qualquer, mas pródigos em passar as horas ocupando-nos com coisa nenhuma.
Economizamos bons modos, e distribuímos palavrões, críticas azedas, queixas sem fim.
Não economizamos palavras vazias, mas custa-nos falar bem de alguém ou de alguma coisa.
É importante que pensemos um pouco a respeito do uso que temos feito de tudo o que nos é concedido: tempo, saber, saúde, oportunidades.
E, de acordo com as Leis que regem a vida, tudo o que se esbanja fará falta, hoje ou mais tarde.
É bom verificar se não estamos sendo pródigos demais com as coisas ruins e economizando virtudes ou deixando de cultivá-las.
*   *   *
Os obstáculos que criamos na estrada evolutiva só retardam a nossa felicidade.
Enquanto nos detivermos nos caminhos estreitos dos enganos, não perceberemos a grande avenida iluminada que nos conduzirá ao Pai.
Essa avenida é a mensagem do Cristo, pois a afirmativa é Dele: Eu sou o caminho da verdadeira vida. Ninguém chegará ao Pai, senão por mim.
Pensemos nisso!
Redação do Momento Espírita com base no cap. 24
 do livro Pão nosso, pelo Espírito Emmanuel, psicografia
de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
Em 28.06.2010.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Porque acredito na imortalidade

Há muitos séculos, Cícero escreveu: Há no espírito dos homens, não sei porque, um certo presságio de uma existência futura, o qual cria raízes profundas nos maiores gênios e nas almas mais sublimes.
Helen Keller, escritora, conferencista e conselheira da Fundação Americana dos Cegos, declarou: O fato de ser eu cega e surda para o mundo material ajudou-me a desenvolver a consciência do mundo invisível, espiritual.
Conheço os meus amigos não pela sua aparência física, mas pelo seu Espírito.
Graças a isso, a morte não me separa daqueles que amo. Em qualquer momento posso trazê-los para perto de mim, a fim de alegrarem a minha solidão. Portanto, para mim não há morte no sentido de cessação da vida.
Os que enxergam costumam confiar exclusivamente no que veem. Quando um ente querido morre e deixa de ser visto, perdem o contato com ele.
Têm embotado o sentido do invisível, ao passo que o sentido interior me proporciona a visão do invisível.
Quando vagueio pela escuridão, deparando com dificuldades, tenho consciência de vozes animadoras que murmuram no mundo do Espírito.
Emparedada no silêncio e nas trevas, possuo a luz que me dará uma visão mil vezes mais clara quando a morte me libertar.
O teólogo e filósofo inglês, Hames Matineau disse, quando comemorava seus 80 anos: Como foi reduzida a parte do trabalho de minha vida que consegui executar!
Nada é tão claro como isto: a vida na Terra, ainda a mais plenamente vivida, é apenas um fragmento. Assim, a vida intelectual e espiritual do homem na Terra não é um círculo perfeito e completo, mas uma parábola que cada vez mais se estende para o infinito.
Esta Terra não nos dá a beber até o fim da taça da vida. Permite-nos apenas um gole de amor, beleza, caráter e verdade.
Se a morte é o fim de tudo, a taça é, por assim dizer, ironicamente afastada de nós. Um Deus digno de confiança não procederia assim.
Hornell Hart, professor jubilado de Sociologia da Universidade de Duke, assim se expressou nos anos 60: A minha crença pessoal na imortalidade tem sido imensuravelmente fortalecida pela pesquisa física. Essa pesquisa, há mais de 75 anos, esclareceu uma questão que me afligiu por largo espaço de tempo: "O eu, o Espírito, a alma sobrevive à morte?
Mais de 3 milhões de experiências, como as feitas na Universidade Duke, pelo Dr. Joseph Banks Rhine, e em outros lugares, demonstraram que o Espírito humano pode funcionar independentemente de espaço e tempo, como nós os entendemos.
O fato de poder a nossa consciência observar e operar separadamente do cérebro e do organismo material reforça a minha crença em que a alma transcende o corpo.
Esses depoimentos demonstram que a imortalidade e individualidade da alma, bem como sua consequente evolução infinita, é uma necessidade lógica para todos aqueles que acreditam num Deus sábio e justo. 
*   *   *
O Dr. Charles Richet, prêmio Nobel de Fisiologia em 1913 e criador da Metapsíquica, pesquisou, por longo tempo, os fenômenos de aparições tangíveis de pessoas ditas mortas.
Ele pôde observar e conversar com esses Espíritos, materializados, obtendo deles informações valiosas acerca da vida após a morte.
Suas principais obras nessa matéria foram: Tratado de Metapsíquica, O futuro da premonição e A grande esperança.
Redação do Momento Espírita, com base em matéria da
 revista Seleções  Reader’s Digest, de maio de 1960.
Em 07.10.2009.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A verdade de cada um

É natural que os pais se sintam orgulhosos com as conquistas dos seus filhos. Afinal, depois de os ver nascer, conquistar a liberdade dos primeiros passos, a segurança das expressões verbais, vê-los crescer e receber medalhas, é gratificante.
Com certeza, não há pais que fiquem insensíveis a uma apresentação teatral, uma dança, uma declamação do filho.
Em se tratando de receber prêmios, é bem difícil se saber quem vibra mais: os pais ou o filho que os abraça.
Em todo esse processo, no entanto, é importante, na qualidade de educadores, verificar até que ponto nossos filhos são merecedores dos prêmios e das medalhas que recebem.
Em certa livraria, contou uma vendedora que foi procurada por uma cliente, que desejava comprar determinada obra. Era um livro de poesias.
Depois de encontrado o livro, retirada a nota fiscal e efetuado o pagamento, enquanto a senhora observava a vendedora embrulhar com cuidado a obra, comentou:
Este livro é muito bom. Minha filha o usa para escrever as suas poesias. Ela muda uma palavra aqui, outra ali. Altera algumas frases e pronto. Ela até já recebeu vários prêmios na Academia de Artes de que participa.
Não menos grave é o caso daquela aluna, cuja professora apresentou para a classe uma poesia de sua autoria. A aluna pediu cópia e recebeu.
Passados alguns dias, a professora recebeu uma ligação da mãe da garota que lhe informava que ela levara a sua poesia para um concurso, assinando com seu próprio nome. E fora premiada.
A última frase da mãe, orgulhosa, foi:
A senhora não se importa, não é mesmo?
Quem deveria se importar e muito era ela mesma. Toda vitória alcançada nos degraus da mentira não é válida. Devemos aplaudir sim, o esforço dos filhos que se esmeram no estudo, embora não alcancem as notas mais elevadas que gostaríamos.
Alegrarmo-nos com as conquistas que são fruto do esforço pessoal. Se pactuarmos com a mentira, com a enganação, não estaremos dando aos nossos filhos a educação de que necessitam para se tornarem homens de verdadeiro valor.
Estaremos lhes dizendo que não importam os meios. O que importa é o aplauso dos homens e as honrarias do mundo.
Tenhamos maior atenção. De que vale a medalha de ouro, bronze ou prata que brilha no peito do nosso filho, se sabemos ser uma farsa?
Da mesma forma, de que valem as notas elevadas se são produto da cola, o que não deixa de ser um tremendo engano, pois poderá nosso filho desta forma conseguir o diploma, jamais o conhecimento.
Ensinemos nossos filhos a honrarem a verdade e a não se importarem com prêmios e conquistas à custa de farsa e mentiras.
Ensinemos a eles que o homem vale pelo que é, não pelo que aparenta.

Redação do Momento Espírita com base no artigo
À sombra do plágio, publicado no Jornal
 Nova Alvorada, de março/abril 1999.
Em 20.09.2010.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Velhos e moços

Por vezes ocorria, entre os Apóstolos do Senhor Jesus, algumas pequenas discussões a respeito do trabalho que teriam a realizar.
Numa dessas oportunidades, os mais jovens do grupo passaram a tecer considerações sobre como poderiam levar o Evangelho às nações, renovando o mundo.
Eram jovens, afirmavam, e, tão logo o Mestre lhes permitisse, deixariam a Galileia a fim de pregar as verdades do Reino de Deus por toda a Terra.
Sentiam-se fortes e dispostos. Respiravam com entusiasmo os ares da boa nova e se supunham habilitados a traduzir com fidelidade os novos ensinamentos.
Simão, o antigo pescador do lago, tudo ouvia e seu coração foi ficando turvo de tristeza. Ele não era tão jovem. Suas energias pareciam descer de uma grande montanha. O que poderia o seu esforço singelo perante a grande obra que se descortinava?
Jesus, percebendo-lhe os pensamentos, mergulhou Seu doce olhar nos olhos vivos do Apóstolo e servidor e lhe disse: Simão, por que te preocupas com a idade? Se fôssemos contar o tempo, no relógio das preocupações terrenas, quem de nós seria o mais velho?
A vida pode ser comparada a uma grande árvore. A infância é a sua ramagem verdejante. A mocidade se constitui de suas flores perfumadas e formosas.
A velhice é o fruto da experiência e da sabedoria. Há ramagens que morrem aos primeiros beijos do sol, e flores que despetalam aos primeiros sopros da primavera.
O fruto, no entanto, é sempre uma bênção do Todo-Poderoso. A ramagem é uma esperança. A flor, uma promessa. O fruto é a realização. Só ele contém o mistério da vida, cuja fonte se perde no infinito da Divindade.
Não te magoe a conversa dos jovens. Quando te cerque o burburinho da juventude, ama os jovens que revelem trabalho e reflexão.
Entretanto, não deixes de sorrir também para os levianos. São crianças que pedem cuidado, como abelhas que ainda não sabem fazer o mel.
Perdoa os entusiasmos sem rumo como se esquecem as pequenas tolices dos meninos que brincam na infância. Esclarece-os, Simão, e nunca penses que outro homem possa realizar a tarefa que te compete no concerto da vida. Tarefa que te foi dada pelo nosso Divino Pai.
Um velho sem esperança em Deus é um irmão triste envolto em sombras. Mas eu venho trazer ao mundo as claridades de um dia perene.
Em verdade, Simão, ser moço ou velho, no mundo, não interessa!... Antes de tudo, é preciso ser de Deus!...
*   *   *
Se a juventude já não te felicita o corpo e as energias parecem estar a pouco e pouco diminuindo, recobra o bom ânimo e pensa:
Ninguém, no mundo, possui o que tens: a sabedoria, que é consequência de todos os reveses e problemas que enfrentaste e venceste. Ninguém tem a tua experiência.
Cada qual é único no Universo. As conquistas pessoais são intransferíveis.
Ninguém poderá fazer aquilo que te está destinado a produzir. Assim, não percas o ânimo e prossegue, sempre, atuando feliz, dando do que tens aos mais moços, esses rebentos novos que se ensaiam para a vida e necessitam do teu amparo e orientação.


Redação do Momento Espírita, com base no cap. 9,
 do livro Boa nova, pelo Espírito Humberto de Campos,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
Em 27.07.2010.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Receita para ser feliz

Os seres humanos têm buscado, ao longo do tempo, uma fórmula mágica que lhes permita a posse da felicidade plena.
Todavia, seja por falta de uma receita eficaz ou de vontade firme para a conquista almejada, grande parte da Humanidade se debate, presa nas garras da infelicidade.
Várias tentativas têm sido improdutivas, já que a felicidade é efêmera e passageira. Logo se vai, deixando em seu lugar a presença desagradável da decepção.
Assim, interessado em ajudar as criaturas da Terra na sua busca, um Espírito Benfeitor ditou uma receita simples, descomplicada e eficaz para ser feliz.
A receita é a seguinte:
Cada manhã na face da Terra, é uma página em branco de que dispomos no livro da vida para fazer os melhores exercícios de elevação e bondade.
Não te esqueças de que cada pessoa a cruzar-te o passo na trilha das horas, é uma oportunidade de construção espiritual.
Seja qual seja o motivo para desafeto, cultiva compreensão e amizade, observando que todo favor que possas prestar a benefício de alguém é uma chave que fabricas para a solução de teus problemas futuros.
Por mais claras as razões que justifiquem esse ou aquele comentário infeliz, procura encaixar uma frase edificante no círculo das palavras rudes que estejam sendo pronunciadas.
Por muito que um companheiro te haja ofendido, não lhe negues tolerância.  Abençoa-o com as tuas preces e gestos de auxílio, na convicção de que estás, com isso, levantando dispositivos de proteção a ti mesmo.
Na atividade em que te encontras, faze mais do que o dever, porquanto o serviço extra, espontâneo e sem recompensa, em toda situação será sempre a tua mais alta pregação de virtude.
Repousa quando necessário, mas não transformes o descanso em ociosidade vazia.
Começa de casa a execução dos conselhos salutares que ofereces ao próximo, aprendendo que é impossível ajudar a Humanidade quando não saibamos entender e amparar algumas poucas pessoas, entre os limites da parentela.
Alia ação e oração, sustentando a felicidade dos outros, como queres que Deus concretize tua própria felicidade.
E quando o dia terminar, agradece ao Senhor a ventura de haver engastado mais uma pérola do tempo em teu colar de realização.
E, cerrando os olhos para o justo refazimento, guarda por teu maior prêmio a consciência tranquila, com a invariável disposição de viver, cada dia, reconhecendo que tudo na vida depende inteiramente de Deus, mas na certeza de que o trabalho, em tuas mãos, depende unicamente de ti.
*   *   *
Na estrada de purificação em que nos encontramos, o discípulo mais feliz é aquele que se sente defrontado pelas maiores oportunidades de servir à elevação dos outros, ainda mesmo com absoluto sacrifício de si próprio à maneira de lâmpada que se consome para iluminar.

Redação do Momento Espírita com base em mensagem do Espírito Emmanuel,
psicografia de Francisco Cândido Xavier e no verbete, Feliz, do livro Dicionário
 da alma, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
Em 16.06.2009.

Não resistir ao mal

Em uma passagem do Evangelho, Jesus afirma que não se deve resistir ao mal.
O significado dessa assertiva certamente não é o de deixar que o mal cresça e se aprofunde, onde quer que se apresente.
Malgrado Sua bondade e Sua doçura, Jesus muitas vezes usou de energia para combater o mal.
Por exemplo, ao Se posicionar contra o comércio no recinto do templo.
Ou nas oportunidades em que lamentou a hipocrisia reinante em Sua época.
Ele também foi claro ao afirmar que se deve orar e vigiar.
Ou seja, cuidar para que o mal não penetre na própria vida, em especial por intermédio dos pensamentos e sentimentos.
Nesse contexto, parece coerente interpretar não resistir como não valorizar o mal.
Quando se valoriza algo, ele cresce em importância.
Quem vive assombrado por certo vício torna-se escravo dele.
A pessoa que se mortifica a cada palavra mal posta fragiliza a si própria.
Passa a se considerar indigna por cometer alguns equívocos, pela desmedida importância que lhes empresta.
Sem dúvida, é necessário vigiar para não cair em tentação.
Manter-se atento para não se perder em variados vícios.
Contudo, não é conveniente viver alarmado pela perspectiva do erro.
Se um pensamento surge na mente, a melhor forma de torná-lo importante é lutar contra ele, com desespero.
Isso implica reconhecê-lo como uma poderosa e real ameaça ao próprio bem-estar.
O mesmo vale em relação à vida em sociedade.
Se alguém comete um erro, prestar excessiva atenção nesse equívoco lhe dá um realce todo especial.
Em sua natural falibilidade, os homens se equivocam.
Entretanto, também acertam bastante.
Todos têm muitas virtudes que podem ser trabalhadas.
Mesmo os que inspiram antipatia têm o seu valor.
Caso se preste muita atenção em suas fissuras morais, deixa-se de perceber suas virtudes.
O que se valoriza, invariavelmente, cresce em importância.
Se você optar por identificar e apreciar o bem que há no próximo, terá mais facilidade para gostar dele.
Tal não significa ignorar defeitos, quando existam, e mesmo se prevenir contra seus efeitos.
Mas apenas não resistir a eles, no específico sentido de não colocar muita força emocional nesse processo.
Quem erra também acerta, eis um fato.
Se você tem maus pensamentos, também os tem bons.
Quando surgir em seu mundo íntimo algo desagradável, perceba a presença daquele pensamento ou sentimento.
Depois, com tranquilidade, deixe que ele se vá, como um visitante passageiro e indesejado.
Se você errar, reconheça a ocorrência, mas não se sinta perdido ou pervertido.
Assuma de forma serena as consequências do que fez e as repare.
E trate de seguir em frente, valorizando e vivendo o bem que há em você e no próximo.
Redação do Momento Espírita.
Em 02.10.2009.